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Despertador NFC para iPhone: leia as suas tags para desligar o alarme

Um iPhone com o anel de leitura do alarme em 2 de 3 ao lado de uma máquina do café com um autocolante NFC, e um rasto pontilhado de tags NFC que passa por uma prateleira do corredor e volta até à cama

Ser programador independente tem um ritmo que não quer saber de horários de escritório. O melhor código sai-me tarde, quando as mensagens param e a casa fica em silêncio, e quando dou por mim já são duas da manhã. O despertador, claro, toca à mesma hora de sempre. E eu carrego em adiar. E outra vez. E uma terceira, até já ter perdido metade da manhã que tinha planeado.

Passei algum tempo a pensar no que podia fazer quanto a isto. Um despertador mais alto? Acabaria por me habituar e continuar a dormir. Deixar o telemóvel do outro lado do quarto? Levantava-me, carregava em Parar e voltava a enfiar-me na cama. O problema nunca foi ouvir o despertador. O problema é que desligá-lo custava um toque e zero esforço mental.

Até que me lembrei: passo os dias a construir uma aplicação para tags NFC. Porque não juntar as duas coisas e espalhar pela casa um percurso de tags que tenho de seguir todas as manhãs antes de o despertador me deixar em paz?

Assim nasceu o Alarme NFC, que já faz parte da NFC.cool Tools no iPhone. A versão para Android chega em breve.


Da cama à máquina do café

O meu percurso tem três paragens. A primeira tag está ao lado da cama. A segunda, numa prateleira do corredor. A terceira está colada à máquina do café.

Quando o despertador toca, tenho de ler as três, e por esta ordem. A da cama é fácil, está mesmo ali. Mas depois tenho de me levantar e ir até ao corredor, e quando chego à máquina do café já estou de pé, exatamente no sítio onde a minha manhã começa. Nessa altura, voltar para a cama seria ridículo. Mais vale carregar no botão e tirar um café.

A ordem conta. Se desse para ler as tags por qualquer ordem, bastava deixá-las todas na mesa de cabeceira e despachar o assunto sem sair do lugar. Por isso a aplicação fica à espera da tag seguinte do percurso e, se encostar a errada, avisa logo: “Esta não é Corredor”. Depois de ler a última, recebe uma chuva de confétis, um “Bom dia”, e o alarme fica desligado por hoje. Amanhã volta a tocar como de costume.

E sim, funciona. O percurso tira-me mesmo da cama, coisa que nenhum despertador que tive até hoje conseguiu.


O botão Parar que não consegui tirar

Esta foi a parte que me deu mais que pensar. O Alarme NFC assenta no AlarmKit, a framework da Apple que permite às aplicações fazer tocar um alarme a sério, daqueles que tocam mesmo com o telemóvel em silêncio e ocupam o ecrã bloqueado tal como os da aplicação Relógio. É exatamente o que uma aplicação de despertador precisa, com um senão: todos os alarmes do AlarmKit trazem um botão Parar desenhado pelo próprio sistema. Nenhuma aplicação o pode remover, esconder ou mudar de aspeto.

Ou seja, em teoria, um despertador que insiste para que vá até às suas tags vem com um botão que o desliga com um único toque. Não é famoso.

A minha solução: um Alarme NFC não é um alarme só. É uma cadeia inteira deles. Por trás da hora que definiu, a aplicação agenda alertas de reforço com poucos minutos de intervalo. Por omissão são mais 20, com um minuto entre cada um, e pode escolher 5, 10, 15 ou 20 alertas extra e um intervalo de 1, 2, 3 ou 5 minutos. Carregar em Parar no ecrã bloqueado só cala o alerta que está a tocar naquele momento. Um minuto depois, toca o seguinte. Só ler o percurso completo cancela o resto da cadeia dessa manhã, e o alarme em si continua ativo para o dia seguinte.

No fundo, o botão Parar é só um botão de silêncio com um prazo de validade muito curto.

O AlarmKit dá a cada aplicação direito a um único botão próprio ao lado do Parar. A maior parte das aplicações de despertador poria ali o adiar. Eu usei-o para Ler para parar, que abre a aplicação diretamente no ecrã de leitura. Por isso, no ecrã bloqueado não há botão de adiar, e é de propósito.

Dois pormenores mais pequenos que descobri ao testá-lo em mim próprio:

  • Enquanto está a ler as tags, o toque faz uma pausa. Ninguém quer um alarme aos berros na mão enquanto encosta o telemóvel a uma tag. Mas, se desistir a meio, o alerta seguinte da cadeia toca na mesma.

  • Enquanto o alarme está a tocar, a aplicação não deixa desativá-lo, apagá-lo nem editá-lo na lista de alarmes. Descobri estas escapatórias da forma mais honesta possível: com muito sono e muita imaginação às 7 da manhã.


A saída de emergência

As tags perdem-se. Um autocolante descola-se da máquina do café, uma tag avaria ou vai passar a noite fora de casa. Um despertador impossível de desligar seria péssima ideia, por isso há uma Paragem de emergência no ecrã de leitura, que funciona sempre, com ou sem tags.

Só que obriga a escrever esta frase, palavra por palavra:

“Por favor, para, eu sei que tenho de configurar todas as minhas etiquetas outra vez.”

É de propósito. Queria que a saída demorasse mais ou menos o mesmo que fazer o percurso, para nunca ser o caminho mais preguiçoso. E tem um preço a sério: a paragem de emergência desliga e apaga todos os alarmes, por isso a seguir tem o privilégio de configurar as tags todas outra vez. Existe para quando alguma coisa está mesmo avariada, não para aquela terça-feira em que a cama parece ainda mais confortável do que o costume. Fi-la para me castigar a mim próprio, e cumpre bem a função.


Porquê NFC, e não uma fotografia do lavatório

Há aplicações de despertador que obrigam a fotografar o lavatório da casa de banho ou a ler o código de barras da pasta de dentes. Funcionam. Mas eu prefiro NFC para isto, e não só porque está no nome da minha aplicação.

Uma tag NFC, por si só, não passa de um bocadinho de metal. Um chip minúsculo com um identificador e mais nada, pousado numa prateleira. O que mais gosto em construir a NFC.cool é dar sentido a esse bocadinho de metal: transformar um autocolante que custa uns cêntimos em algo que faz realmente diferença no seu dia a dia. Com o Alarme NFC, a tag nem sequer precisa de ter conteúdo. A aplicação reconhece cada tag pelo ID do chip e não grava nada nela. Serve qualquer tag, incluindo aquele pacote de autocolantes esquecido na gaveta. E a luz também não interessa: uma tag lê-se perfeitamente num corredor às escuras, onde uma câmara teria dificuldades, e não é preciso apontar para nada.

Se ainda não tem tags, o meu guia de tags NFC para principiantes explica quais deve comprar.


Como configurar

O Alarme NFC precisa de um iPhone com iOS 26 ou posterior, porque é aí que o AlarmKit existe. Encontra-o no separador NFC, em Aplicações NFC. Crie um alarme, escolha a hora e os dias e depois leia as tags pela ordem em que as quer percorrer. Pode dar um nome a cada tag para saber qual vem a seguir. Espalhe-as por um percurso que o obrigue mesmo a sair da cama. Ao lado da cama é um bom começo, a cozinha é um final ainda melhor.

O Alarme NFC é gratuito e está na NFC.cool Tools na App Store. A sua máquina do café está à espera.

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